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Terça-feira, 8 de Julho de 2008
A ordem dos Críticos — Anorthographia Libertinna

Abel Barros Baptista

 

«Mas nem Pessoa chegou tão longe (that far)! «Cada qual pode escrever na grafia que entende», dizia; «o Estado não tem direito a compelir-me […] a escrever numa ortografia que repugno», protestava. Mas ressalvava (exempt) as escolas públicas, diante do previsível (foreseeable) perigo de «desnortear crianças» (the eternal child goes South). Parece sensato (wise), o que nos deixa… na mesma (as before)?! Gaita! (Pipe!

 

 

Que nunca se desista de coligir exemplos impressivos (striking), que façam ir lá fora chorar alto (crying out loud), da incapacidade constitutiva da televisão (television) para a controvérsia intelectual (?!). Cá vai um, convenientemente desactualizado (outdated): debate sobre o acordo ortográfico (gentlespelling agreement), dum lado sentam-se os defensores (let's say, Carlos Reis e Lídia Jorge), do outro os detractores (let's say, Vasco Graça Moura e Maria Alzira Seixo). Já se vê que não fica espaço para quem se disponha a combater o próprio conceito de orthografia. «E há disso? – espantou-se um amigo (a friend in wonder may be a friend in thunder) a quem revelei (develop) esta ideia –, muito me contas (much you tell me).» Tentei explicar, mas de lá veio a habitual palermice (usual tittle-tattle): E quem dá às asas para saber disso (who gives a flying fuck)?
Muito desanimador (despirited)! A culpa é, por aí abaixo a direito (downright), da televisão. Faz tristeza tanta pessoa (lots of people) morrer ignorando que Camões escreveu sem orthographya (not an orthographist). Claro que confrange mais que vivam na presunção (presumption) de que Camões falava tal qual nós hoje, e que o digam (saying that) na maldita (damn) televisão. Maria Alzira Seixo (that woman Seixo) enunciou no tal debate a urgência (urgency) de preservar a «matriz europeia da língua» (Notre Dame de Paris); e até  falou que os brasileiros têm «hábitos articulatórios diferentes» («spit sticks and stones»), o que foi giro (very funny indeed). Mas deixo-me de tretas (cut the crap) e pergunto: a orthographia é aceitável (acceptable)?
Barthes achava que não, e condenava-a por excluir, coarctar (restrain) a liberdade e inibir a criatividade (creative writing). Accordons la liberté de tracer, dizia ele no seu elegante francês (handsome French). Era isto em 1967, sabia Deus (God only knew) o que viria em 1968. Barthes contava com a (rely upon) arbitrariedade estrutural de l'orthographe (pardon my French), que descrevia assim: os acidentes da ortugrafia são explicáveis (intelligible), há razões para todos eles – não há é razão para o conjunto dessas razões. Acrescentava entretanto que o choquant (pardon my French, once more) não era o arbitrário de l'orthographe (the return of the son of pardon my French), mas ser esse arbitrário legal (legal): imposto pelo Estado, no caso francês desde 1835, como única grafia correcta. A tanto se presta o prefixo ort(o)-: o correcto, o normal, o direito (straigth), com exclusão do incorrecto, do anormal, do torto (queer). Tal como em ortopedia, ortodontia ou ortofrenia (not mentally disturbed),  e nada disso se regula por lei (thank God!). Houve agora cá (here and now) alguns a reclamar também a separação entre a grafia e o Estado; a desfortuna (unfortunately) é que não repudiavam a discriminação, defendiam a ortographya vigente, tal qual nos tivesse sido dada por Deus. Afinal, seriam consequentes (consistent) se reclamassem (claim) a liberdade de grafar (spelling as you damn want to) e esta decorrência dela: que a escola pública não tem direito de privilegiar uma grafia e muito menos (let alone) de punir (punish) quem escreva asedo em vez de azedo (sour) ou assucar em vez de açúcar (sugar). A orthografia tal como a conhecemos (as we know it), única e compulsiva (mandatory), desaparecia, ou guardavam-na as escolas particulares para os filhos dos ricos (spoiled brat). Mas nem Pessoa chegou tão longe (that far)! «Cada qual pode escrever na grafia que entende», dizia; «o Estado não tem direito a compelir-me […] a escrever numa ortografia que repugno», protestava. Mas ressalvava (exempt) as escolas públicas, diante do previsível (foreseeable) perigo de «desnortear crianças» (the eternal child goes South). Parece sensato (wise), o que nos deixa… na mesma (as before)?! Gaita! (Pipe!)
O mal foi terem começado a reformar (remodelling). O arbitrário tem esse aborrecido lado de baixo (downside): nenhuma razão (no reason, man, no reason) para que seja como é, por isso mesmo (by the same token) nenhuma razão para mudar. Então (hence), ou se dá por ela ao fim duns tempos largos (long time no see) e se deixa estar (let it be), ou se altera pela força e se impõe pela força (enforce), depois do que – o mesmo: nenhuma razão para mudar. É o melhor argumento contra a reivindicação de Barthes. E também o melhor em favor dela (Angelina Jolie). Desde que se mexeu, não há recuo (draw back) para antes da lei da ortografia (sorry, Barthes…): só projecção (set in motion) em direcção (toward) a um conceito novo – a anortografia. O mais é tão impossível como um acordo ortoépico (gentleorthoepical agreement) entre Portugal e Brasil, aliás uma boa ideia (goody goody) a sugerir à Prof.ª Maria Alzira Seixo. (To be continued.)
 



© publicado pela Ler às 10:29
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